por Jornal O Tempo
Postado em 14 de Outubro de 2026 às 09:00 hrs
Há quem fale sozinho para organizar ideias, aliviar uma irritação ou se concentrar em uma tarefa. Embora ainda provoque estranhamento, verbalizar pensamentos pode ajudar a organizar o raciocínio e regular o comportamento.
quando alguém verbaliza o que pensa sem se dirigir a outra pessoa – pode favorecer a atenção, o planejamento, a memória de trabalho e a resolução de problemas.
“A linguagem não funciona apenas como instrumento de comunicação interpessoal, mas também como um importante recurso de organização do pensamento e de autorregulação do comportamento”, afirma.
Ao transformar ideias em palavras, a pessoa pode organizar etapas, acompanhar o próprio desempenho e identificar erros. Isso acontece, por exemplo, quando alguém repete o nome de um objeto enquanto procura por ele ou enumera em voz alta os passos de uma tarefa a ser realizada.
Falar sozinho, por si só, não indica um transtorno mental. A atenção, no entanto, deve se voltar à frequência, ao contexto, ao conteúdo das falas e aos impactos na vida cotidiana e às repercussões emocionais, cognitivas e funcionais. Expressar pensamentos em voz alta para organizar uma tarefa é diferente de ouvir vozes sem que alguém tenha dito algo, sobretudo quando essas experiências provocam sofrimento ou interferem nas atividades diárias. “São fenômenos distintos e que exigem interpretações clínicas diferentes”, ressalta Alessandra Drumond.